Acadêmicos do curso de Psicologia da URI atentam para o fenômeno do cyberbullying em tempos de pandemia
Trabalho realizado pela disciplina de Psicologia Escolar Educacional.

A realidade atual tem nos mostrado que o isolamento social imposto pela pandemia da covid-19 tem aumentado significativamente o tempo em que crianças e adolescentes ficam conectadas por meio da internet, razão pela qual os acadêmicos do quinto semestre do curso de Psicologia da URI atentam para o cyberbullying, o bullying online. Discussões e exemplos apresentados na disciplina de Psicologia Escolar Educacional motivaram a pesquisa desse fenômeno.

Para um melhor entendimento, faz-se importante iniciar definindo bullying: deriva de bully, palavra inglesa que significa valentão, tirano; portanto, faz referência a brutalizar, tiranizar e amedrontar. Ou seja, são comportamentos agressivos e intencionais, sem motivo aparente, adotados por um ou mais alunos contra outro/a, causando angústia, dor ou sofrimento.

O bullying pode ser classificado como direto, quando a vítima sofre agressões físicas, apelidos, roubos, ameaças, ofensas verbais ou gestos que geram algum mal-estar; indireto, que ocorre quando a vítima está ausente e o autor/a cria situações de discórdia, difamação, fofoca e manipulação dos amigos para excluir a vítima do grupo social; verbal, através de apelidos, ofensas e ameaças; pela violência física, como chutar, bater, ferir, ou quebrar algum objeto da vítima; através de comportamentos maldosos, os quais ocorrem através da perpetuação de comportamentos ameaçadores, discriminatórios, de exclusão e dominação contra a vítima e, por fim, o cyberbullying.  

Nosso foco, o cyberbullying, ou assédio virtual, é a prática de agredir psicologicamente, intimidar, humilhar, expor, perseguir, caluniar, difamar o outro, pelos motivos que a pessoa que produz a agressão decidir fazer uso para justificar tal atitude. O que classifica cyberbullying é praticar o bullying virtualmente, o que é cada vez mais comum na sociedade atual. 

Como o cyberbullyng se dá virtualmente, há o ônus de que a agressão pode se dar de forma anônima, e que a vítima pode ser agredida até na própria casa, causando a sensação de não estar segura em lugar nenhum. 

As consequências do bullying e do cyberbullying são as mesmas: pode desencadear transtornos de conduta, de personalidade, transtornos de estresse pós-traumático, entre outros. Emocionalmente, pode desencadear uma queda de autoestima, perda de interesses nos gostos pessoais, podendo chegar a um isolamento social por medo. Fisicamente, as consequências mais visíveis são insônia, dores de estômago e de cabeça, entre outros. 

Muitas vítimas de bullying sentem-se tão humilhadas que podem perder a vontade de viver, e até cometer suicídio ou algum ato de absoluta violência contra quem o agride; outras vezes, contra a própria comunidade que vive. 

Assim como o cyberbullying pode ser caracterizado de diversas maneiras, os agressores que o praticam também, ou seja, temos os tipos acidentais e os adictos, sendo os primeiros aqueles que não têm consciência do efeito que causam na vítima e, os segundos, aqueles que fazem propositalmente, podendo ser indicativo até de algum distúrbio psicológico.

Por mais que tenhamos consciência das proporções possíveis que o cyberbullying pode tomar, levando em conta a facilidade de anonimato já citada e a replicabilidade que a internet por si só já proporciona, ainda há muito o que se pensar enquanto escola, família e cidadãos, já que a portabilidade atual da tecnologia permite que essa forma de agressão possa ser perpetuada de diversos lugares.

Se, com o advento das mídias sociais o cyberbullying tornou-se corriqueiro, agora, com a pandemia provocada pela COVID-19, a prática está, infelizmente, crescendo gradativamente. Passando mais tempo em casa, muitas pessoas recorrem às redes sociais para ocuparem seu tempo, e isso faz com que os agressores se voltem para o plano virtual na intenção de disseminar seu ódio, distribuindo humilhações e ofensas. 

Considerando os danos físicos, psicológicos, sociais e educacionais, para acabar com o ciberbullying faz-se necessário o envolvimento de autoridades governamentais, pais, professores e as próprias crianças e adolescentes. 

Às autoridades compete a implementação de políticas de proteção às crianças e adolescentes; pais e professores precisam estar atentos para prevenir, orientar e denunciar e as crianças e adolescentes precisam ser encorajados à falar sobre o que está acontecendo, assim como os agressores precisam ter conhecimento da dimensão e consequências de suas ações. É preciso lembrar também que quem pratica bullying precisa ser escutado, e compreendido quanto às questões que o levam a agir assim. 

  Se você for vítima de ciberbullying não silencie. Denuncie.

Esse trabalho trata-se de uma produção dos alunos do quinto semestre do curso de Psicologia, na disciplina de Psicologia Escolar Educacional, ministrada pela professora Edinara Michelon Bisognin.



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