Psicologia e Pedagogia celebram o Dia do Estudante com arte na URI/FW

Exposição “Travessia”, da artista Valéria Pinheiro, promoveu encontro entre acadêmicos, arte e diferentes perspectivas sobre infância, emoções e formação

Frederico Westphalen
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Adriana Folle
13/08/2026

No Dia do Estudante, celebrado em 11 de agosto, os cursos de Psicologia e Pedagogia da URI/FW promoveram uma programação especial marcada pela arte, pela sensibilidade e pela reflexão. Realizada junto à Biblioteca da URI, a atividade contou com a exposição artística “Travessia”, da artista Valéria Pinheiro, e proporcionou aos acadêmicos um momento de encontro, diálogo e reflexão sobre as relações entre arte, infância, emoções e processos de formação.

 

A série “Travessia” nasce do encontro entre memória, ferida e escuta e investiga as marcas deixadas pela infância e as formas como experiências vividas podem continuar reverberando na vida adulta, por meio dos afetos, medos, ausências, mecanismos de defesa e maneiras de se relacionar consigo e com o outro.

 

Nas obras, a figura de uma menina aparece de forma recorrente. Embora tenha como ponto de partida uma experiência íntima e autobiográfica, a personagem transforma-se em um símbolo coletivo: a criança que deseja ser acolhida, escutada, protegida e validada. Pintadas sobre papelão, material frágil e vulnerável, as obras também estabelecem uma relação simbólica com as marcas que atravessam as histórias de vida.

 

A programação contou ainda com a interlocução da psiquiatra Joana Cordeiro, que contribuiu para ampliar a reflexão sobre a presença da arte nos processos de cuidado, expressão e compreensão do ser humano. A partir de seus estudos e vivências profissionais, a profissional destacou a arte como possibilidade de expressão daquilo que nem sempre consegue ser comunicado por meio das palavras, estabelecendo um diálogo com a Psicologia e a Pedagogia.

 

O encontro entre a artista, a profissional da área da saúde e os cursos de Psicologia e Pedagogia possibilitou uma conversa interdisciplinar sobre os diferentes espaços que a arte pode ocupar: como forma de expressão e elaboração na Psicologia, como recurso para favorecer processos de aprendizagem e criatividade na Pedagogia e, de maneira mais ampla, como possibilidade de humanização.

 

Mais do que uma atividade comemorativa, a iniciativa buscou valorizar o estudante como sujeito em formação. A proposta reconheceu que a trajetória acadêmica não é construída apenas a partir de conteúdos, teorias e práticas profissionais, mas também por experiências que favorecem o diálogo, a convivência, a expressão de sentimentos e a construção de vínculos.

 

Nesse sentido, o contato com a arte amplia as possibilidades de formação para além da sala de aula. A arte provoca perguntas, desperta sentimentos, estimula a criatividade e possibilita diferentes formas de compreender o sujeito e suas relações. A atividade também fortaleceu a integração entre os cursos de Psicologia e Pedagogia, criando um espaço de convivência, troca e construção coletiva. Momentos de celebração e expressão cultural contribuem para fortalecer o sentimento de pertencimento à universidade e possibilitam que estudantes e professores se encontrem a partir de outras perspectivas.

 

O olhar dos estudantes

A experiência foi marcada também pelas percepções dos próprios acadêmicos, que destacaram diferentes aspectos da exposição e do diálogo proporcionado pelo encontro.

 

Para Larissa Kellermann, acadêmica do VIII semestre de Psicologia, a atividade possibilitou uma aproximação significativa entre arte e vida. “A sua série ‘Travessia’ [...] traz consigo detalhes importantes da construção e reconstrução da infância, utilizando da pintura para demonstrar como devemos cuidar e acolher a nossa criança interior”, relatou. A acadêmica também ressaltou a presença da expressão artística no campo da Psicologia. Segundo Larissa, a arte permite diferentes possibilidades de elaboração psíquica e pode possibilitar a escuta daquilo que não é dito por meio das palavras, mas pelo sentir e pelo simbolismo.

 

Rafaela Ritter, do VI semestre de Psicologia, destacou a relação das obras com a infância e com sentimentos que podem permanecer presentes na vida adulta. Entre as pinturas, uma menina descalça, com um pincel na mão, pintando livremente e cercada por balões, despertou uma lembrança relacionada à liberdade e às experiências simples da infância. Para Rafaela, o uso do papelão como suporte também possui um significado especial. “Um material simples e frágil, que carrega marcas, dobras e imperfeições, assim como nós também carregamos marcas das nossas histórias”, observou.

 

Na percepção de Geni Bildhauer, acadêmica do IV semestre de Pedagogia, a participação na atividade foi transformadora. Para ela, a arte pode ser compreendida para além do desenho ou da música, como ferramenta de acolhimento e expressão.

A acadêmica destacou ainda a contribuição da Dra. Joana Cordeiro para a discussão e a relação estabelecida entre arte, Psicologia e Pedagogia. “Na psicologia ela cuida, na pedagogia ela ensina, e na nossa vida ela dá sentido”, afirmou Geni, ao refletir sobre a experiência.

 

Já Thais Araujo Nunes, do VI semestre de Pedagogia, definiu o momento como uma oportunidade de aprendizado e troca. Para ela, a discussão foi especialmente significativa para a área da Pedagogia, considerando a atuação futura com crianças e suas diferentes formas de expressão. “Entender que cada traço pode comunicar sentimentos, vivências e percepções amplia muito o nosso olhar, como futuros educadores”, afirmou Thais. Ela também destacou a integração entre os cursos de Pedagogia e Psicologia, fortalecendo a troca entre as áreas de Humanas.

 

Uma travessia construída coletivamente

A celebração do Dia do Estudante transformou-se, assim, em uma experiência que ultrapassou o caráter comemorativo. O encontro aproximou arte, conhecimento, formação e humanidade, reafirmando a importância de criar, no ambiente universitário, espaços nos quais os estudantes possam aprender, mas também sentir, refletir, dialogar e construir vínculos.

 

Para a Psicologia e a Pedagogia, essa perspectiva assume significado especial: formar profissionais também significa formar pessoas capazes de olhar para o outro com escuta, sensibilidade e cuidado.

 

Ao celebrar o estudante por meio da arte, os cursos reafirmaram que a universidade também é lugar de encontro, expressão e construção de sentidos — uma travessia que se faz coletivamente.

Confira as imagens: