Cesta básica registra queda em agosto, mas custo ainda supera o início do ano em FW

Ração Essencial Mínima caiu 1,15% em agosto; tomate apresentou a maior alta entre os produtos pesquisados, enquanto a carne bovina teve a maior redução

Frederico Westphalen
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Adriana Folle
03/09/2026

O custo da Ração Essencial Mínima apresentou nova redução em agosto de 2026, em Frederico Westphalen. Conforme levantamento realizado pelo Observatório Econômico da URI/FW, por meio do Curso de Ciências Contábeis, o conjunto de 13 produtos essenciais passou de R$ 779,59, em julho, para R$ 770,65 em agosto, representando uma queda de 1,15%, equivalente a uma redução de R$ 8,94.

 

O resultado mantém a trajetória de redução observada nos últimos meses. Depois de atingir R$ 842,13 em maio, a Ração Essencial Mínima passou para R$ 825,57 em junho, R$ 779,59 em julho e chegou a R$ 770,65 em agosto. Apesar da sequência de quedas, o valor registrado em agosto ainda permanece acima do observado no início do ano. Em janeiro, a Ração Essencial Mínima custava R$ 716,73. Assim, na comparação direta entre janeiro e agosto, houve uma elevação acumulada de aproximadamente 7,52%.

 

Entre os 13 produtos que compõem a Ração Essencial Mínima, o comportamento dos preços foi bastante diversificado. O tomate longa vida apresentou a maior alta do mês, de 42,30%, seguido pelo arroz tipo 1, que aumentou 3,22%, e pela farinha de trigo, com alta de 0,50%. O café tradicional também apresentou pequena elevação, de 0,25%.

 

Por outro lado, diversos produtos registraram redução de preços. A maior queda foi observada na carne bovina, de 6,14%, seguida pelo açúcar cristal, com redução de 5,13%, pela batata inglesa, que caiu 3,23%, e pela banana, com redução de 3,21%. Também apresentaram redução o leite (-2,37%), o pão francês (-2,02%), o feijão preto (-1,75%), a margarina (-2,88%) e o óleo de soja (-0,23%). A forte elevação do tomate contribuiu para limitar uma redução ainda maior no custo total da Ração Essencial Mínima.

 

Cesta ampliada

Além da Ração Essencial Mínima, o levantamento acompanha uma cesta ampliada composta por 51 produtos, distribuídos em diferentes grupos de consumo.

Em agosto, o custo dessa cesta foi de R$ 3.077,67, contra R$ 3.109,87 registrados em julho. A redução foi de 1,04%, representando uma economia de R$ 32,20 para o consumidor. Na comparação direta com janeiro, quando a cesta custava R$ 3.000,44, o valor de agosto representa uma elevação de aproximadamente 2,57%.

 

Entre os grupos pesquisados, destacaram-se as reduções de 4,07% em Carnes e Derivados, de 2,65% em Mercearia, de 1,82% em Óleos e Temperos e de 0,76% em Farináceos. Em sentido contrário, o grupo de Hortifrutigranjeiros apresentou elevação de 4,19%, influenciado principalmente pelo comportamento do tomate e de outros produtos hortícolas.

 

Considerando todos os 51 produtos pesquisados, a maior elevação em agosto foi registrada pelo tomate longa vida/paulista, com 42,30%. Também tiveram aumentos relevantes o repolho (7,38%), o mamão formosa (7,09%), o vinagre de álcool (7,07%), o desinfetante (4,22%) e a carne de frango (4,18%). Entre as maiores reduções, destacou-se a maçã nacional, com queda de 10,68%, seguida pela lâmina de barbear (-6,51%), carne bovina (-6,14%), açúcar cristal (-5,13%) e queijo lanche/mussarela (-4,55%).

 

O levantamento também permite avaliar o impacto do custo da Ração Essencial Mínima sobre a renda do trabalhador. Considerando o salário mínimo bruto de R$ 1.621,00 e o valor líquido estimado de R$ 1.491,32, a Ração Essencial Mínima de agosto, no valor de R$ 770,65, representa 51,68% do salário mínimo líquido. Isso significa que, após a aquisição dos 13 produtos essenciais, restariam aproximadamente R$ 720,67 para atender às demais despesas do trabalhador, como moradia, transporte, energia elétrica, água, saúde, educação, higiene, vestuário e outros gastos.

 

Redução nos últimos meses

A série histórica acompanhada pelo Observatório Econômico demonstra uma mudança importante no comportamento dos preços ao longo do ano. Após os aumentos registrados nos primeiros meses de 2026, o custo da Ração Essencial Mínima atingiu seu maior valor em maio, quando chegou a R$ 842,13. A partir de junho, iniciou-se uma sequência de reduções: -1,96% em junho, -5,57% em julho e -1,15% em agosto. Entre maio e agosto, o custo da Ração Essencial Mínima apresentou redução acumulada de aproximadamente 8,49%.

 

Ainda assim, quando considerada toda a trajetória de janeiro a agosto, o custo permanece superior ao registrado no início do ano, demonstrando que as reduções recentes ainda não foram suficientes para eliminar completamente as elevações acumuladas anteriormente.

 

Para a coordenadora do curso de Ciências Contábeis da URI/FW, Diana de Souza, o acompanhamento sistemático dos preços possibilita transformar informações do cotidiano em indicadores importantes para compreender a realidade econômica local.

“O acompanhamento mensal da cesta básica permite observar não apenas se os preços estão subindo ou diminuindo, mas também quais produtos e grupos estão contribuindo para essas mudanças. Os resultados de agosto mostram uma continuidade das reduções verificadas nos últimos meses, mas também revelam que o custo da alimentação ainda permanece acima do registrado no início do ano. Esse monitoramento contribui para aproximar a universidade da comunidade, através de atividades extensionistas, e oferecer informações que auxiliem na compreensão do orçamento das famílias e do comportamento da economia local”, frisa a docente.

 

O levantamento da Cesta Básica, que tem como bolsista Sawa Klimiuk, integra as ações de acompanhamento econômico desenvolvidas pelo Observatório Econômico da URI/FW, contribuindo para a produção e divulgação de informações sobre o comportamento dos preços e seus impactos sobre a população de FW e região.