Diploma no Brasil aumenta salário em 148%

Dados da OCDE revelam valores mensais quase três vezes maior que a média internacional; Brasil tem apenas 24% dos jovens com graduação e altas taxas de evasão

Frederico Westphalen
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Adriana Folle
19/06/2026

O diploma universitário continua sendo uma das maiores alavancas de mobilidade social no Brasil, mas o caminho até ele ainda é um funil estreito. É o que revela o relatório Education at a Glance 2025, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que traz números expressivos sobre o impacto da formação superior no país.

 

Trabalhadores brasileiros com Ensino Superior ganham, em média, 148% a mais do que aqueles que têm apenas o Ensino Médio. Na média da OCDE, esse prêmio salarial é de 54%. A diferença acontece porque, no Brasil, o diploma ainda é raro: apenas 24% dos jovens de 25 a 34 anos têm Ensino Superior completo, enquanto a média entre os países da OCDE é de 49%.

 

Os números mostram que o sistema educacional brasileiro funciona como uma peneira. Um em cada quatro estudantes abandona a graduação logo no primeiro ano — uma taxa de 24%, quase o dobro dos 13% registrados entre as nações da OCDE. Mesmo três anos após o tempo previsto para conclusão do curso, apenas 49% conseguem se formar, ante 70% na média internacional.

 

Há ainda outro dado preocupante para quem busca inovação, tecnologia e produtividade: apenas 16% dos concluintes brasileiros estão nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Em cursos dessas áreas, a taxa de conclusão é de apenas 38%.

 

O Brasil também figura entre os países com maior proporção de jovens de 18 a 24 anos que não estudam nem trabalham — os chamados "nem-nem". São 24% dos brasileiros nessa faixa etária, quase o dobro da média da OCDE, de 14%. Apenas Colômbia, África do Sul e Turquia registraram índices mais altos.

 

O papel do ensino superior

Para a diretora geral da URI/FW, Elisabete Cerutti, o Ensino Superior vai além da questão salarial e representa uma transformação na vida do estudante e de toda a sua comunidade.

 

- A graduação não é apenas um diploma. É a oportunidade de desenvolver autonomia, visão crítica e capacidade de inovação. O aluno que chega à universidade aprende a se preparar para o futuro profissional, mas também para a vida. Nosso compromisso é oferecer as ferramentas para que ele não apenas entre, mas que conclua essa jornada com sucesso, preparado para os desafios do mercado de trabalho e para contribuir com o desenvolvimento da sociedade – afirma Elisabete.

 

A diretora destaca que universidades comunitárias como a URI desempenham um papel estratégico para reverter o quadro de desigualdade apontado pelo relatório. "Estamos inseridos em uma região que depende do desenvolvimento do agronegócio e de diversas outras áreas importantes. A URI está comprometida com a formação de profissionais qualificados que possam atuar nessas áreas estratégicas, e também com a inovação e o empreendedorismo, como mostram nossos cursos e parcerias com o setor produtivo", reforça a gestora.

 

A URI busca sempre o melhor a seus alunos, pois tem compromisso com a região. “Quando investimos na formação de um jovem, estamos investindo em toda a comunidade. Por isso, oferecemos estrutura de qualidade, laboratórios, projetos de extensão e parcerias que aproximam o aluno do mercado de trabalho. Queremos que o sonho do diploma se torne realidade para cada vez mais pessoas", finaliza a diretora.