Evento reúne mais de 700 pessoas para debater sobre saúde mental
No do Setembro Amarelo, encontro promovido pela DerMind e URI trouxe Psiquiatria, Direito e Psicologia para ampliar o olhar sobre sinais de sofrimento em crianças e adolescentes
Nem todo pedido de ajuda vem em palavras. E quando se trata de crianças e adolescentes, perceber os sinais de sofrimento psíquico é também responsabilidade dos adultos que estão por perto. Foi com esse propósito que a DerMind e a URI/FW promoveram, no dia 8 de setembro, o encontro “Quando o sinal pede atenção e cuidado”, no Salão de Atos. O evento, que integra a programação do Setembro Amarelo, reuniu mais de 700 pessoas.
A proposta foi unir diferentes áreas do conhecimento para falar sobre saúde mental infantojuvenil, prevenção, proteção e a responsabilidade de toda uma rede. A palestra contou com a participação do psiquiatra da infância e adolescência, Augusto Göller, e da promotora de Justiça, Michele Taís Dumke Kufner. Na sequência, uma roda de conversa reuniu profissionais da URI/FW dos cursos de Direito, por meio do professor Tiago Galli, e Psicologia, através da coordenadora do Curso Eliane Cadoná.
Durante sua fala, o psiquiatra destacou que “nem todo sinal é sintoma, nem todo sintoma é diagnóstico e nenhum comportamento define um diagnóstico”. Ele também abordou a importância do vínculo na regulação emocional das crianças, lembrando que, antes de conseguir se acalmar sozinha, a criança precisou de alguém que a ajudasse a se acalmar, e acrescentou que vínculo é oferecer base segura, não mimar.
Já a promotora trouxe o olhar do Direito, lembrando que “só conseguimos ser bons no que fazemos quando nosso olhar é abrangente”. Ela falou sobre a proteção e a responsabilidade que a lei atribui a cada um de nós, além do dever de proteção com base legal. Para ela, o olhar clínico sobre o que acontece na mente e no cérebro da criança e do adolescente deve caminhar junto com o olhar jurídico.
O diretor Acadêmico da URI/FW, Carlos Eduardo Blanco Linares, ressaltou que, em um mês dedicado à preservação da saúde mental e à prevenção do suicídio, a URI promoveu um momento único de atenção aos sinais apresentados por pessoas em sofrimento psíquico. Ele agradeceu aos palestrantes e aos cursos de Psicologia e Direito pela organização e condução da roda de conversa.
Da mesma forma, a coordenadora do curso de Psicologia da URI/FW, Eliane Cadoná, avaliou o evento como um momento ímpar para pensar, de forma interdisciplinar, na prevenção ao suicídio de crianças e adolescentes. “Certamente, uma temática de extrema relevância, a ser abraçada não somente por profissionais da saúde, mas também pela educação, pelas famílias e pela sociedade como um todo”, disse.
Uma mudança de comportamento, o isolamento que antes não existia, a irritabilidade frequente, alterações no sono, queda no rendimento escolar — isoladamente, esses sinais podem ter diferentes explicações, mas quando persistem ou começam a trazer prejuízos, precisam ser olhados com atenção. O evento reforçou que uma criança ou adolescente em sofrimento não está apenas no consultório, mas em casa, na escola e na comunidade. Quanto mais preparados estivermos para perceber, maiores são as possibilidades de cuidar.