Pesquisas revelam cenário do uso de antibacterianos e psicotrópicos na região

Alunas do curso de Farmácia da URI/FW desenvolveram estudos sobre o uso de medicamentos

Frederico Westphalen
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Adriana Folle
27/08/2026

Levantamentos feitos no Noroeste do Estado analisam milhares de dispensações de medicamentos em serviços de saúde municipais, apontando tendências de consumo e a necessidade de ações para garantir o uso seguro e racional. O uso de medicamentos é um pilar fundamental da assistência à saúde, mas seu consumo exige monitoramento constante para garantir eficácia e segurança. Pensando nisso, duas pesquisas desenvolvidas no curso de Farmácia da URI/FW, analisaram o perfil de dispensação de antibacterianos e psicotrópicos em serviços de saúde de municípios da região.

 

Os estudos abordam temas relevantes para a saúde pública e foram desenvolvidos a partir de dados reais de serviços de saúde locais, demonstrando a importância da pesquisa acadêmica para compreender demandas específicas e fortalecer a assistência farmacêutica.

 

A acadêmica Valeria Moraes da Conceição, sob orientação da professora doutora Camila Pires Machado da Silva, desenvolveu o trabalho intitulado “Análise do perfil de dispensação de antibacterianos em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de um município do Noroeste do Rio Grande do Sul”.

 

A pesquisa analisou as dispensações realizadas na UPA de Frederico Westphalen durante o ano de 2025, identificando os medicamentos mais utilizados, possíveis variações sazonais e outras características. O estudo se torna ainda mais relevante diante do avanço da resistência bacteriana, um dos maiores desafios da saúde pública global.

 

Ao todo, foram analisadas 21.156 dispensações de medicamentos, das quais 3.135 correspondiam a antibacterianos. Os medicamentos mais frequentemente dispensados foram a ceftriaxona e a benzilpenicilina benzatina, sendo a ceftriaxona um antibacteriano de amplo espectro. Outro dado relevante foi o aumento das dispensações durante os meses mais frios do ano, um período em que infecções respiratórias são mais comuns.

 

A acadêmica ressalta a importância do monitoramento do uso de antibacterianos em serviços de urgência. Os dados, segundo ela, podem contribuir para o desenvolvimento de protocolos clínicos, ações educativas e estratégias para promover o uso racional desses medicamentos, garantindo a segurança dos pacientes.

 

Saúde mental em foco

A segunda pesquisa, conduzida pela acadêmica Mileni Koppe, também orientada pela professora doutora Camila Pires Machado da Silva, avaliou o perfil de dispensação de psicotrópicos. O estudo, intitulado “Uso de psicotrópicos na rede de Atenção Básica: avaliação em uma unidade de saúde do Rio Grande do Sul”, foi realizado em uma Unidade Básica de Saúde do município de Boa Vista das Missões, com base em registros de 2024.

 

Foram analisadas 1.145 dispensações, que revelaram um perfil bem definido: a maior frequência de uso foi entre mulheres e pessoas na faixa etária de 40 a 59 anos. O escitalopram, um antidepressivo, foi o medicamento mais dispensado, e a classe dos antidepressivos foi a mais dispensada como um todo.

 

Os resultados evidenciam a elevada demanda por cuidados relacionados à saúde mental na Atenção Básica. A pesquisa também chama a atenção para a necessidade de acompanhamento contínuo dos usuários, com revisão periódica do uso prolongado de certos medicamentos, especialmente os benzodiazepínicos. A pesquisa defende a integração entre o tratamento farmacológico e outras formas de cuidado, como psicoterapia, grupos terapêuticos e ações de promoção da saúde.

 

As duas pesquisas são exemplos do compromisso da URI enquanto universidade comunitária, produzindo conhecimento conectado às necessidades da população regional. Ao aproximar a formação acadêmica dos serviços públicos de saúde, os trabalhos geram informações relevantes que podem subsidiar o planejamento da assistência farmacêutica, a organização dos serviços municipais e a promoção do uso seguro e racional de medicamentos.

 

Para a professora orientadora Camila Pires Machado da Silva, a importância dos estudos vai além dos resultados acadêmicos. “Ao analisarem dados reais dos serviços públicos de saúde, as acadêmicas aproximam a formação profissional das necessidades da comunidade e produzem informações que podem apoiar o planejamento das ações de saúde. Os trabalhos também evidenciam a atuação estratégica do farmacêutico no monitoramento do uso de medicamentos, na promoção do uso racional e na prevenção de riscos relacionados à resistência bacteriana e ao uso prolongado de psicotrópicos. Essa integração entre ensino, pesquisa e realidade regional expressa a missão da URI como universidade comunitária”, avalia.

 

Os dados obtidos nos dois estudos oferecem um retrato importante para gestores e profissionais de saúde, servindo como base para a tomada de decisão e o aprimoramento das políticas públicas de saúde na região.

Confira as imagens: