Terapia Ocupacional promove evento sobre autonomia, participação e inclusão
Participaram profissionais, familiares e comunidade para um momento de reflexão, troca de experiências e sensibilização sobre deficiência e processos de inclusão
Na 5ª Semana Municipal da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, o curso de Terapia Ocupacional da URI/FW promoveu, no dia 26 de agosto, o evento “Além da Deficiência: diálogos sobre autonomia, participação e inclusão”, reunindo acadêmicos, profissionais, familiares e comunidade para um momento de reflexão, troca de experiências e sensibilização acerca da deficiência e dos processos de inclusão.
A programação teve como principal objetivo ampliar o olhar sobre a pessoa com deficiência, valorizando não apenas as limitações impostas pelas condições de saúde, mas, sobretudo, suas potencialidades, barreiras encontradas, desejos, escolhas e possibilidades de participação nos diferentes contextos da vida cotidiana. Mais do que discutir a deficiência, o evento propôs olhar para a pessoa para além do diagnóstico ou da condição, reconhecendo o direito de todos à participação e à inclusão.
- A inclusão é um tema muito sério, delicado e necessita cada vez mais ser debatido, estudado e compartilhado, pois estamos falando de seres humanos que precisam ser vistos muito além dos diagnósticos que têm. Na escola, a inclusão ainda é uma questão delicada pois temos salas numerosas, falta de recursos (físicos e humanos), problemas sociais e muitas vezes, nós professores, não conseguimos fazer o que poderíamos, ou que gostaríamos de fazer por esses alunos. Nos frustramos, nos cobramos, mas vamos seguindo buscando e fazendo o melhor que podemos – relata Marta Piton, professora da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio.
O encontro contou com a presença de famílias de pessoas com diferentes tipos de deficiência e diagnósticos, que contribuíram de forma significativa para a construção dos diálogos propostos. A diversidade de experiências compartilhadas possibilitou compreender diferentes realidades, desafios e conquistas vivenciados no cotidiano, fortalecendo a importância da escuta e do acolhimento às singularidades de cada pessoa e de sua família.
O momento de maior destaque foi a roda de conversa com familiares de pessoas com deficiência, que possibilitou o compartilhamento de vivências, desafios, conquistas e perspectivas relacionadas à inclusão e à busca por maior autonomia e participação social. O diálogo proporcionou a todos os participantes uma aproximação com experiências reais, contribuindo para uma compreensão mais ampla e sensível das diferentes dimensões que envolvem a deficiência.
- Participar dessa roda de conversa com minha filha foi um momento muito especial para nós. Poder falar sobre sua surdez, sobre o atraso intelectual, sobre a nossa rotina, os desafios, as dificuldades e, principalmente, sobre tudo aquilo que ela já superou, foi uma experiência que ficará guardada no meu coração. Como mãe, muitas vezes vivemos situações que só quem está dentro dessa realidade consegue compreender. Aprendemos a celebrar cada conquista, por menor que pareça aos olhos dos outros, porque sabemos o quanto cada uma delas representa para nossa filha. Também foi muito bonito ouvir outras histórias. Eram realidades diferentes, mas todas carregadas de sentimentos, desafios e superações. A surdez, muitas vezes, não é percebida como outras deficiências. Por isso, poder falar sobre ela foi também uma maneira de dar visibilidade, mostrar um pouco da nossa realidade e ajudar outras pessoas a compreenderem que, por trás de uma deficiência, existe uma história, uma pessoa, sonhos e muitas possibilidades. Ficamos muito felizes pelo convite e pela oportunidade de compartilhar um pedacinho da nossa história. E, como mãe, saí de lá com ainda mais orgulho da filha que tenho e de tudo o que ela já conquistou. E naquele dia, nossa filha não foi apenas assunto de uma conversa, ela foi presença, história, conquista e inspiração – relata Aline, mãe da Joana Mazzonetto.
A roda de conversa foi concluída com a participação do advogado convidado, que abordou os direitos das pessoas com deficiência, trazendo informações e esclarecimentos sobre aspectos legais relacionados à inclusão, à acessibilidade, à garantia de direitos e à participação plena na sociedade. A contribuição possibilitou aos participantes ampliar seus conhecimentos sobre os instrumentos legais existentes e sobre a importância de conhecer e reivindicar os direitos assegurados às pessoas com deficiência.
- Foi uma grande alegria participar deste evento contribuindo com uma fala sobre a importância de promover conhecimento, respeito e garantia de direitos. Mais do que um momento de diálogo, foi uma oportunidade de ouvir, aprender e compartilhar experiências sobre a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva, na qual a pessoa com deficiência seja reconhecida em sua integralidade, com dignidade, autonomia, participação e protagonismo. Meu sincero agradecimento a todos que estiveram presentes, aos organizadores e a cada pessoa que contribuiu para tornar esse encontro tão significativo. Que possamos seguir transformando informação em consciência, direitos em realidade e inclusão em prática. Muito obrigado pela oportunidade de fazer parte desse momento – afirma Jacques Douglas de Lima.
Enquanto a roda de conversa acontecia, uma sala especialmente preparada acolheu as crianças que acompanhavam seus familiares no evento. No espaço, foram desenvolvidas, de forma concomitante à programação principal, atividades que proporcionaram momentos de interação, criatividade e diversão. A iniciativa foi pensada para garantir que as famílias pudessem participar do encontro com tranquilidade, ao mesmo tempo em que as crianças tinham acesso a experiências lúdicas e significativas, reforçando o compromisso do nosso curso com o acolhimento, a participação e a inclusão de todos.
A presença de crianças, familiares, acadêmicos, profissionais e representantes de outras áreas reforçou o caráter interdisciplinar e socialmente comprometido da iniciativa. Ao promover o encontro entre diferentes saberes e experiências, o curso de Terapia Ocupacional reafirma seu compromisso com uma formação profissional pautada na defesa da autonomia, da participação social, da cidadania e da inclusão, reconhecendo que construir uma sociedade verdadeiramente inclusiva é uma responsabilidade coletiva.
- Queria agradecer a turma de Terapia Ocupacional da URI. Por poder participar desse momento, onde podemos compartilhar vivências e aprendizados. Foi um momento muito significativo, podemos colocar um pouco para a sociedade de como são as lutas e desafios no dia a dia. Para a pessoa com deficiência o dia a dia é uma prova de resistência. Enfrenta várias barreiras, uma delas é o preconceito! O olhar de pena, de dúvida sobre a capacidade de cada pessoa. Incluir não é fazer para a pessoa. Incluir é fazer com ela, dar oportunidade e autonomia dos seus afazeres diários. Que vá para escola, que participe ativamente na sociedade. Do seu jeito. Incluir faz toda a diferença – reforça a mãe do Kauã Morin, Edilaine.
A iniciativa foi organizada pela coordenadora do curso de Terapia Ocupacional, professora doutora Camila Möller, em conjunto com os acadêmicos do curso, que participaram ativamente do planejamento, da organização e da realização do evento, e com o Conselho Municipal de Saúde, pelo seu presidente Adriano Kozoroski Reis.
- Nossos agradecimentos a todos que de alguma forma colaboraram com a concretização da atividade, reforçando a importância de ações integrativas visando adequada formação e disseminação de conhecimentos, requisitos fundamentais para a formação de políticas públicas assertivas e inclusivas, enfatiza Adriano.
O envolvimento dos estudantes foi fundamental para o desenvolvimento da programação e reforça o compromisso do curso de Terapia Ocupacional com uma formação acadêmica que ultrapassa os espaços da sala de aula, promovendo protagonismo, responsabilidade social e aproximação com a comunidade. A realização deste evento contou com o empenho coletivo dos acadêmicos e da coordenação, que trabalharam juntos para que cada detalhe fosse cuidadosamente planejado. O resultado foi um momento marcado pelo conhecimento, pela escuta, pela emoção e, principalmente, pela valorização das histórias e experiências das pessoas com deficiência e de suas famílias.
- Enquanto acadêmicos de Terapia Ocupacional, planejar, organizar e vivenciar esse momento foi uma experiência profundamente gratificante, marcada por histórias de desafios, lágrimas, conquistas, superação e muito aprendizado; cada família, ao compartilhar sua realidade, nos ensinou sobre empatia, respeito, acolhimento e a importância de enxergar para além dos diagnósticos, valorizando histórias, sonhos e potencialidades. Para nós, essa experiência reforçou ainda mais a escolha pela Terapia Ocupacional e mostrou que estamos no caminho de uma profissão que acolhe, transforma e busca fazer a diferença na vida das pessoas e suas famílias. Deficiência não define ninguém, oportunidade transforma e a inclusão começa quando aprendemos a ouvir - relatam os acadêmicos.
Para a coordenadora, promover espaços de diálogo como esse é também uma forma de fortalecer a formação dos futuros terapeutas ocupacionais. “A Terapia Ocupacional tem um compromisso fundamental com a autonomia, a participação e a inclusão das pessoas em suas ocupações e nos diferentes espaços da sociedade. Proporcionar momentos de escuta e troca de experiências contribui não apenas para a formação dos nossos acadêmicos, mas também para construirmos uma sociedade mais acessível, inclusiva e que reconheça as potencialidades de cada pessoa e, por isso, se faz necessário ouvir a realidade de quem sente e vive a deficiência diariamente”, destaca Camila.