URI tem dia histórico com a defesa da dissertação de aluno surdo

Pela primeira vez, em 15 anos de PPGEDU, a instituição contou com a apresentação de um estudante com deficiência auditiva

Frederico Westphalen
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Adriana Folle
01/10/2026

O Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEDU) da URI, Câmpus de Frederico Westphalen, registrou um marco em sua trajetória no dia 30 de setembro. O aluno Delcimar Filipin, natural de Cunha Porã (SC), defendeu sua dissertação de Mestrado de forma on-line, tornando-se o primeiro estudante surdo a concluir essa etapa no programa.

 

A pesquisa, intitulada “A importância da língua brasileira de sinais – Libras na construção da identidade e autonomia do sujeito surdo no contexto das cidades que educam e transformam”, foi orientada pela professora doutora Camila Aguilar Busatta. O trabalho investiga como as Libras, quando integrada às práticas educativas, contribui para o fortalecimento da inclusão social e educacional de pessoas surdas, especialmente em contextos de “cidades que educam”.

 

Para a orientadora, a defesa representa um momento de grande significado institucional. “Orientar essa primeira defesa de mestrado de um aluno surdo no nosso programa foi uma experiência profundamente transformadora”, destacou a docente.

 

Delcimar Filipin atua como professor de Libras no Ensino Superior na UCEFF, em Itapiranga (SC), e também como assistente técnico-pedagógico na Escoa São Miguel, em São Miguel do Oeste (SC). Sua trajetória acadêmica inclui a publicação do artigo “Importância da Libras para a construção da identidade da pessoa surda” na Revista Educação, Direito e Sociedade, em coautoria com sua orientadora.

 

O agora mestre em Educação também já compartilhou sua experiência como docente surdo. Em uma aula no curso de Pedagogia da UCEFF, relatou as dificuldades que enfrentou ao longo da vida para alcançar seus objetivos, oferecendo aos alunos uma perspectiva concreta sobre os desafios da comunidade surda no acesso à educação.

 

A dissertação defendida por Delcimar Filipin reforça o papel da Libras não apenas como ferramenta de comunicação, mas como elemento central na construção da identidade surda e no exercício pleno da cidadania. O estudo evidencia que o contato precoce com a língua de sinais fortalece a autonomia e a autoestima do sujeito surdo, contribuindo para o reconhecimento da surdez como diferença cultural, e não como deficiência.

 

A conquista de Delcimar insere-se em um contexto mais amplo de avanços na inclusão de pessoas surdas no Ensino Superior brasileiro, ainda marcado por barreiras comunicacionais e atitudinais que persistem nas instituições. Sua titulação representa não apenas uma vitória pessoal, mas um passo concreto na construção de uma educação verdadeiramente inclusiva.

 

- Concluir essa etapa representa uma grande conquista. Foram dois anos de muito estudo, esforço, desafios, lutas e também muitas alegrias. Hoje, olhando para tudo que vivi, sinto orgulho da minha trajetória e muita gratidão por todas as pessoas que fizeram parte dela. Quero mostrar que nós, pessoas surdas, podemos estudar, fazer pesquisa, chegar à universidade, conquistar nossos sonhos e ocupar diferentes espaços. Quando existe acessibilidade, respeito, apoio e oportunidade, podemos ir muito mais longe – frisa o mestre.

 

A entrada de Delcimar no PPGEDU permitiu e incentivou o acesso de mais alunos surdos no programa: Gleison Fabian Roch, no Doutorado, e Ândria Isabelle Fronio Ferreira Pedro, no Mestrado, ambos também com orientação da professora Camila.

 

A orientadora destacou a importância das intérpretes, Carine Mello da Silva e Tatiane de Souza Gil, durante todo o processo. “Ambas são alunas do PPGEDU e garantiram a acessibilidade linguística do Delcimar, bem como estão assegurando a acessibilidade linguística do Gleison e da Ândria.

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